História da Fotografia

A fotografia não tem um único inventor. Ela é uma síntese de várias observações e inventos em momentos distintos. A primeira descoberta importante para a fotografia foi a “câmara obscura”. O conhecimento de seus princípios óticos se atribui a Aristóteles, anos antes de Cristo, e seu uso para observação de eclipses e ajuda ao desenho, a Giovanni Baptista Della Porta.

Sentado sob uma árvore, Aristóteles observou a imagem do sol, durante um eclipse parcial, projetando-se no solo em forma de meia lua quando seus raios passaram por um pequeno orifício entre as folhas. Observou também que quanto menor fosse o orifício, mais nítida era a imagem.

Durante a Idade Média, os estudos científicos foram prejudicados na Europa, estagnando o desenvolvimento da fotografia nesse continente. Um erudito árabe, Alhazem, descreveu a câmara escura em princípios do século XI.

Lente e diafragma

No século XVI, com o renascimento, as experimentações científicas e artísticas proliferaram, e os estudos da câmera escura foram retomados. Alguns, na tentativa de melhorar a qualidade da imagem projetada, diminuíam o tamanho do orifício, mas a imagem escurecia proporcionalmente, tornando-se quase impossível ao artista identificá-la.

Este problema foi resolvido em 1550 pelo físico milanês Girolamo Cardano, que sugeriu o uso de uma lente biconvexa junto ao orifício, permitindo desse modo aumentá-lo, para se obter uma imagem clara sem perder a nitidez.

Isto foi possível graças à capacidade de refração do vidro, que tornava convergentes os raios luminosos refletidos pelo objeto. Assim, a lente fazia com que a cada ponto luminoso do objeto correspondesse um pequeno ponto de imagem, formando-se assim, ponto por ponto da luz refletida do objeto, uma imagem puntiforme.

Danielo Brabaro, em 1568, no seu livro “A prática da perspectiva” mencionava que variando o diâmetro do orifício, era possível melhorar a nitidez da imagem. Assim, outro aprimoramento na câmara escura apareceu: foi instalado um sistema, junto com a lente, que permitia aumentar e diminuir o orifício. Este foi o primeiro “diaphragma”.

Contudo, apesar das descobertas fotográficas serem atribuídas aos europeus, esses estudos ocorriam no mundo todo. No Brasil, por exemplo, ocorreu uma descoberta isolada da fotografia no Brasil, em meados da década de 1830, por Hercules Florence.

Química – fixação

Desde o século XVIII, sabia-se que o nitrato de prata escurecia quando exposto à luz. Cada vez mais as “fotografias de sol” tinham êxito, mas não se sabia como fixar a imagem, ou seja, tornar sua imagem permanente.

Na década de 40, Nicéphore Niépce, após alguns anos de tentativas, recobriu uma placa de metal com betume branco da judéia, que tinha a propriedade de se endurecer quando atingido pela luz. Nas partes não afetadas, o betume era retirado com uma solução de essência de alfazema. Em 1826, expondo uma dessas placas durante aproximadamente 8 horas na sua câmara escura, conseguiu uma imagem do quintal de sua casa.

Daguerreótipo

Niépce se juntou a Louis Jacques Mandé Daguerre, um homem do ramo dos espetáculos, outro interessado na fixação das imagens. Contudo, quando Daguerre percebeu as grandes limitações do betume da Judéia decidiu prosseguir sozinho nas pesquisas com a prata halógena.

Dois anos após a morte de Nièpce, Daguerre descobriu que uma imagem quase invisível, latente, podia revelar-se com o vapor de mercúrio, reduzindo-se assim de horas para minutos o tempo de exposição. Conta a história que uma noite Daguerre guardou uma placa sub-exposta dentro de um armário onde havia um termômetro de mercúrio que se quebrara. Ao amanhecer, abrindo o armário, Daguerre constatou que a placa havia adquirido uma imagem de densidade bastante satisfatória, tornara-se visível. Em todas as áreas atingidas pela luz o mercúrio criava um amálgama de grande brilho, formando as áreas claras da imagem. Após a revelação, agora controlada, Daguerre submetia a placa com a imagem a um banho fixador, para dissolver os halogenetos de prata não revelados, formando as áreas escuras da imagem. Este processo foi batizado com o nome de Daguerreotipia.

Apesar do êxito da daguerreotipia, que se popularizou por mais de vinte anos, sua fragilidade, a dificuldade de se ver a cena devido à reflexão do fundo polido do cobre e a impossibilidade de se fazer várias cópias partindo-se do mesmo original, motivaram novas tentativas com a utilização da fotografia sobre o papel.

Reprodução

Negativo – Positivo: Talbot (Inglaterra – 1840): importante passo no processo de reprodução da imagem fixada. Contudo, como o negativo da talbotipia não era constituído de um papel de boa qualidade como base de sensibilização, na passagem para o positivo se perdiam muitos detalhes devido à fibrosidade do papel.

Albumina (clara de ovo): Abel Niépce (1847): surgiu da busca de algo que contivesse, numa massa uniforme, os sais de prata sensíveis à luz, para que não se dissolvessem durante a revelação. Base do negativo: placa de vidro.

Colódio úmido (1851): Frederick Scott Archer não estava satisfeito com a qualidade da imagem, deteriorada pela textura fibrosa dos papéis negativos, e sugeriu uma mistura de algodão de pólvora e éter, chamada colódio, como um meio de unir os sais de prata nas placas de vidro.

Emulsão de gelatina e brometo de prata (1873): placas secas – industrialização do negativo.

Rolos de negativo: de placas individuais, os negativos passam a ser disponibilizados em rolos. A ideia foi desenvolvida por George Eastman, que fundou a Kodak, e foi o grande salto que permitiu a efetiva popularização da fotografia e o surgimento da fotografia amadora.

Fotografia X pintura

Após o Daguerreótipo e a crescente popularização da fotografia, vários pintores figurativos, como Dellaroche, exclamaram em desespero: “A pintura morreu”. Foi nessa efervescência cultural que foi gerado o impressionismo (captação do instante, valorização das nuances de cores e de luz e dos efeitos ópticos na pintura).

Num segundo momento, já no século XX, acreditou-se que “a fotografia libertou a pintura” – enquanto a fotografia se encarregaria do registro, a pintura poderia expressar as sensações e o inconsciente. Surgiram o expressionismo, o cubismo, o dadaísmo e o surrealismo, entre outros movimentos, quebrando barreiras do real, expressando de formas não convencionais as angústias do homem moderno por meio da pintura (principalmente quando se considera o período histórico, a conturbada primeira metade do século XX).

Já a fotografia, cada vez mais popular, permitiu a ampliação do “acervo da realidade” – das imagens que contam a história da humanidade, e contribui para o desenvolvimento de uma nova maneira de ver o mundo e de mais uma nova arte: o cinema.

Fonte: http://wwwca.kodak.com/BR/pt/consumer/fotografia_digital_classica/para_uma_boa_foto/historia_fotografia/historia_da_fotografia.shtml?primeiro=1

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